se alguém me contasse eu nunca acreditaria.
jamais imaginei que viveria meu aniversário de 20 anos no meio de uma pandemia. e o de 21 anos também. que eu teria dois trabalhos diferentes ao mesmo tempo e que faria e viveria coisas que sempre sonhei, mas que isso nem ia me animar tanto assim.
se alguém me contasse que dessa idade eu iria gostar de umas coisas aleatórias que nunca imaginei, que teria cabelos brancos e que finalmente teria aprendido a me deixar chorar. chorar até demais. e que perderia pessoas que amo... eu também não acreditaria.
com 16 anos eu escrevi que sentia o tempo passar rápido demais. "como se a cada ano minha vida se esvaísse das minhas mãos como a areia de uma ampulheta se esvaí com o passar dos segundos - uma súbita percepção acompanhada de um aperto no peito, como se tudo estivesse sendo amassado em uma pequena bola de papel pronta pra ser jogada no lixo", relatei. é.. o que mais posso dizer? porque se alguém me contasse que hoje eu viveria coisas pra um ano inteiro em um único mês, eu não acreditaria. de verdade. a sensação é de estar correndo rápido demais, perdendo de ver a paisagem ao redor e sabendo que vou cair. e não é só uma sensação. é real. vai acontecer. mas o que posso fazer? talvez nada.
esses dias estava lendo o livro Vozes de Tchernóbil e no Monólogo sobre o que se pode conversar com os vivos e com os mortos, a senhora diz: "o que eu posso dizer? a coisa mais justa no mundo é a morte. ninguém ainda pôde evitá-la. a terra dá abrigo a todos: aos bons, aos maus e aos pecadores. não há maior justiça neste mundo". isso me marcou.
já em outro dia também recente, uma pessoa que gosto muito de acompanhar contou que estava em reforma. uma reforma da cabeça. que era bagunça, caos, tudo revirado por dentro igual casas em reforma. sei lá, acho que me sinto assim também. e tá tudo bem, né? talvez estejamos assim só porque não nos contaram que se tornar adulto não é nada demais, que era viver igual antes só que com mais responsabilidades e medo de errar.
um amigo também disse que ninguém é feliz o tempo todo, que a vida era repleta de momentos de alegrias onde se estava feliz e que o resto do que a gente sente sobre a vida tem muito mais a ver com satisfação do que ser, de fato, feliz porque ninguém é feliz o tempo todo. admito que talvez esteja transcrevendo tudo errado aqui, mas, sei lá, isso também me marcou.
enfim, o que escrevo aqui não é pra fazer sentido. não precisa, na verdade. mas, se te tocar de algum jeito, que bom. me sentirei menos sozinha.
sobre a música: nada de tão especial, só estava tocando enquanto escrevia.
Estou feliz lendo o seu texto :)
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